Marketing Responsável

Baixo Brasil Escrito por Cláudio Rocha em 24/11/2011

Sou um músico formado em Propaganda & Marketing. Literalmente. Me formei na turma de 93, e até hoje tenho guardado meu diploma. Ainda tentei exercer a profissão, mas a música falou mais alto, o que me impediu de dar prosseguimento a uma das piores carreiras como redator publicitário do mercado, graças a Deus.

Pensei que nunca iria abordar o assunto dessa maneira, mas dando uma rápida olhada no mercado de música, através dos olhos da Internet, achei mais que interessante escrever algo a respeito. É só dar uma passada no Google e no YouTube que você vai entender porque.

Hoje em dia, é incrível a quantidade de músicos fazendo um tipo de marketing estranho para se promover. Existem 2 tipos de marketeiros bizarros: os que aumentam, e os que inventam.

O músico que aumenta é aquele que engorda seu currículo da seguinte maneira: faz um show como "sub" com um artista famoso, diz que faz parte da banda. Gravou 3 faixas em um CD, diz que gravou 30, em um dia só! Apesar de realmente ter feito os trabalhos, exagera ao extremo, procurando passar uma imagem maior do que é na verdade.

Aquele que inventa simplesmente cria seu currículo: passou na frente de uma faculdade de música famosa, tira uma foto e diz que se formou lá. Diz que tocou com artistas famosos, apesar de o mais perto que chegou deles foi no meio da platéia de algum show. Esse músico constrói sua carreira em cima da ficção, esperando que isso o lance a andares mais altos.

Curiosamente, apesar de todo o "esforço", esses tipos de músico não transitam no meio musical sério de maneira efetiva. Na verdade, acabam fazendo parte das piadas do mercado: histórias de músicos que dizem ter um super currículo, e na hora de gravar não conseguem tocar decentemente, aí ficam tão nervosos que têm que tomar calmante para continuar. Ou outros que chegam para tocar, olham uma partitura escrita, dizem que vão ao banheiro e não voltam mais, tudo isso acaba fazendo parte das "lendas" do meio musical.

Não há nada errado em ter um currículo simples, até porque esse é geralmente o começo de qualquer carreira. Os contatos vão aparecendo em função do bom trabalho realizado, e dessa maneira o músico começa a pegar mais e melhores trabalhos. Também não é errado usar o marketing a seu favor, em fazer as pessoas ficarem sabendo o que você tem feito no meio, isso é até algo saudável.

O que acontece é que quanto mais alguém se expõe, mas expectativas cria em seus clientes, contatos e colegas de profissão. Costumo dizer que:

"Se você disser que toca bem, tem que tocar muito bem;

Se você disser que toca muito bem, tem que ser excepcional;

Se você disser que é excepcional, tem que ser "sub" de Deus".

Ou seja, você sempre terá que superar as expectativas que criou, por isso seja muito cuidadoso com a maneira que "vende seu peixe", pois ela pode conspirar contra você. Na verdade, até hoje não vi marketing melhor do que tocar bem e ter uma postura profissional íntegra. Isso pode levar mais tempo do que usar "atalhos", mas constrói uma carreira sólida, porque é baseada na verdade. Aquele que irá chamá-lo, saberá que você dará conta do recado. Não porque você falou, mas porque os outros estão dizendo isso de você. Em minha opinião, esse é o melhor tipo de marketing.

Perguntas, críticas e sugestões, escreva para http://captainbasement.blogspot.com/

Até a próxima!